Por Bárbara de Andrade*
O evento realizado em Salvador no dia 23 de novembro de 2012 teve como tema central a discussão sobre a atual posição do Mercosul no plano internacional e os desafios e perspectivas a partir da adesão da Venezuela ao bloco em áreas de desenvolvimento social, expansão comercial e integração produtiva.
A mesa que abriu o encontro tratou sobre a posição do Mercosul na recente configuração mundial; destacou-se a fala do Ministro Zhu Quingqiao, encarregado de Negócios da embaixada da China, que reforçou o interesse de aproximação da China com Mercosul e a importância das relações sino-latino-americanas. Segundo ele, a China vê o bloco com bons olhos e por isso busca expandir sua presença na América Latina com base nos cinco princípios de coexistência pacífica, visando impulsionar o desenvolvimento conjunto e promover benefícios mútuos.
Também foi discutido ao longo do encontro a necessidade de reforçar a integração intrabloco em questões de cidadania e educação. Espera-se um progresso em questões como a livre-circulação de pessoas, que promoveria bem-estar e melhorias para sociedade e a possibilidade de uma cédula de identidade do Mercosul. Já existe um acordo de residência para membros e associados, que resguarda a igualdade de direitos e deveres civis, responsabilidades trabalhistas e previdenciárias além do direito de transferir recursos, porém dificuldades na estrutura interna dificultam esse processo que se tornou deficiente. A próxima cúpula do Mercosul, que será realizada em dezembro em Brasília, terá como uma das propostas centrais a criação da “rede Mercosul de ensino”, cujo objetivo é integrar as universidades dos países membros a fim formar profissionais capacitados e retê-los na região. A ideia seria parecida com o programa “Ciência sem Fronteiras” lançado este ano em parceria com os EUA, para estudantes das áreas de engenharia, ciência e tecnologia, a fim de que eles possam contribuir para a inovação tecnológica do País.
Quanto a adesão da Venezuela ao bloco, os diplomatas presentes reforçaram a posição do Mercosul sobre a aplicação da cláusula democrática, um dos princípios que regem sua criação. O Ministro Antonio Patriota apontou que mesmo suspenso o Paraguai não teve sua economia afetada e que o comércio bilateral se intensificou nos últimos meses. O embaixador bolivariano Maximilien Arvelaiz ressaltou a importância que tem o bloco para Venezuela e que este permitirá ao país romper com a dependência do petróleo e diversificar sua economia; em seu discurso, fez questão de destacar dois fatos importantes, que segundo ele foram pouco veiculados na mídia internacional: o primeiro é que seu país conseguiu alcançar a meta do milênio estabelecida pela ONU, de reduzir em 50% a proporção de pessoas em pobreza extrema; segundo, que o prazo da meta é até 2015 e, de acordo com dados do PNUD, a Venezuela é um dos países menos desiguais da América do Sul.
Por fim, os argumentos a respeito da expansão comercial e integração produtiva do bloco trouxeram um enfoque sobre o novo polo produtivo do Brasil, que agora se desloca da região centro-sul para a Bahia. Segundo Darc Costa, presidente da federação de câmaras de comércio e indústria da América do Sul, “O Mercosul se estende também aos estados do norte e nordeste, antes percebido somente pelo sul.” A Bahia hoje é 6ª economia do País e tem extensa capacidade produtiva em ramos como a soja, mineração, indústria, papel e celulose, setor automotivo e de energia eólica; por isso, foi frisado durante essa pauta a necessidade do fortalecimento do bloco para incentivar que os países membros e associados invistam nessas áreas de produção e assim contribuiriam para que o capital gerado fosse mantido na região, gerando benefícios mútuos. O Brasil carece de infraestrutura para escoar sua produção, e o ideal seria que os componentes do bloco pudessem assumir a iniciativa desse investimento no País; esse é um projeto que requer um denso planejamento regional.
O Ministro Antonio Patriota fez o discurso de encerramento reiterando e ponderando sobre os temas discutidos durante seminário e afirmando sua satisfação de que a cada encontro do Mercosul mais países buscam participar e se inteirar dos assuntos discutidos; o evento, além da presença do Ministro encarregado de Negócios da embaixada da China e o Embaixador na Venezuela, recebeu também o Subsecretário-geral das Américas do Sul e Central e do Caribe, Embaixador Antonio Simões, o Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon e a Embaixadora da União Européia, Ana Paula Zacarias.
*Bárbara de Andrade é graduanda em Administração pela UNIME e estudante de IC do LABMUNDO-Ba.


